Parecia pouco provável que o Justino fosse capaz, do que quer que fosse, de absurdo e impossível, mas fê-lo na medida do impossível e provou-o categoricamente, defendendo, que por A+B as coisas eram tal e qual ele as tinha imaginado. Justino não vivia num mundo de imaginação, a imaginação dele é que vivia noutro mundo. Não vivia por viver, não sonhava por sonhar, não queria por querer, nem nascera por nascer, nascera para viver e sonhava por querer e ninguém se atrevia a negar-lhe isso. Dois dias após o fatídico acontecimento que mudou a sua vida, Justino tornou-se outro, era agora Sebastião. Muito parecido com o Justino, Sebastião sabia bem o que queria, não tinha nascido ontem, mas sim hoje e não ia ser por causa de certas coisas, que faria erradas coisas, como o poder dizer, que tudo poderia estar bem se se mudasse uma ou outra coisa. Mudar uma ou duas coisas estaria certo, mudar uma ou outra, não, porque se outra for uma não vamos mudar uma ou uma coisa. Sebastião sorria ao pensar nisso e pensava nos belos momentos que passaria, se por qualquer motivo mudasse de nome. Sebastião passou a Carlos e mudou por completo, já não se regia por ideias, regia-se por régia ordenança e aí entrou a dança, Carlos passou a Carla, que se tornou Manuela, que se tornou Paulo, que se tornou Pedro. O Pedro tinha vontade demais, ao menos isso era algo que se via e quando se preparava para afirmar perante o mundo, sofreu um enfarte na perna direita, que lhe apanhou a fala, logo no início e em seguida lhe apanhou o coração, sem fala e sem coração, Pedro não era nada, desceu do palanque, entregou o discurso a outro e partiu ao encontro da alma gémea, que encontrou logo ali, numa flor. Foi nessa altura que outro enfarte lhe apanhou o corpo todo, em 3 partes distintas, uma, duas e a outra, o que não foi mau, porque mudando uma ou outra sempre se melhora. Pedro, sem querer ser chato, tornou-se chato e mudou para José, onde se manteve até à independência. Essa independência durou 4 anos, até ser ocupado por um ditador de nome, António. António gostava de escrever horóscopos à boa maneira balzaquiana e detestava torradeiras, não via qualquer inconveniente em comer cenouras e polia as canetas com que escrevia, sempre que possível. A ditadura nunca dura e António deu um salto que lhe torceu um pé, o que lhe valeu o nome de Horácio. Como Horácio, pediu uma intervenção rápida das forças da autoridade médica-cirúrgica para lhe retirarem um António que começava a alastrar novamente por todo o corpo. Ao fazê-lo, a Alta Autoridade para a Concorrência e Disciplina Essencial para Qualquer Membro Afectado por um António, amputou-lhe a percepção do amarelo. Horácio, graficamente falando era uma tricromia, até ao dia em que engoliu, sem querer, um frasco de perfume barato, que lhe devolveu a percepção do amarelo, mas que lhe tirou a percepção de si mesmo, portanto, Horácio deixou de ser, Horácio não era....
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