O Misterioso Senhor Coiso escreve ao seu amor:
Querida Lúcia.
Hoje entrei que nem um desalmado a correr pela floresta Antártica temperada da Guiné, vi três macacos-periquito a cantar como nunca tinha visto. Perguntei a uma senhora que estava sentada a descascar favas, se aquilo era normal e ela respondeu que sim, que por aquela altura os macacos-periquito acasalavam com frequência. A senhora, com uma delicadeza fora do normal e quase a roçar a má educação apontou-me o melhor caminho. Sabes como sou e já estás a ver que não fui por aí, fui pelo lado oposto. Posto isto, estava de novo a andar, o chão parecia um tapete de folhas secas. Sabias que as andorinhas falam quando não estamos a ouvir? É verdade, disse-me um velhinho que estava sentado numa pedra com um papel na mão. Eu acreditei e é bastante provável que não sejam só as andorinhas, ando a desconfiar que as moscas lá de casa fazem reuniões e distribuem tarefas antes de eu acordar. As árvores foram passando por mim, umas grandes, outras pequenas e é curioso que as pequenas nunca eram do tamanho das grandes, ui!! nem lá perto!
Parei numa clareira, está claro, bebi um golo de água e pedi uma Super Bock a um empregado que passava de mãos nos bolsos. Ele foi atrás de uma árvore e trouxe o meu pedido. Enquanto bebia, passou junto aos meus pés um daqueles pombos que comem jibóias, ia a resmungar, rrrnheff, rrrenheff, rrrnheff. Assustei-me um bocado! Nunca tinha visto um pombo daqueles a resmungar, mas logo percebi porque resmungava.... atrás dele vinha um urso-borboleta a pedir desculpa por lhe ter esmagado a bicicleta. Se eu não achasse isto tão normal, até acharia que se tratava de algo absurdo, por isso pensei em ficar por aqui, e é de onde te escrevo. Vou ficar por aqui, mas por pouco tempo, depois retomo a caminhada, no encalço da tua pessoa. Sei que vou enfrentar animais não muito estranhos, provávelmente absurdos, mas vou ser forte, vou percorrer o caminho, nem que seja parado á espera... Agora paro e descanço....
Até já amor!
1 de Agosto de 2007