terça-feira, 26 de setembro de 2023

INÁCIO POETA

 Quem passa por Alpiarça, não passa perto de Faro, dizia Inácio Rosmaninho, poeta de Tavira, pessoa predestinada a ser inútil no que respeita a soldadura com acetileno, mas da sua mente saíam os mais encantadores poemas de rima dissonante, como o famoso “Fiz um filho á tua irmã!” ou o épico “Parece um macaco mas é teu filho!”.

Num dia em que ficou preso na casa de banho pública do jardim da Estrela, sem papel higiénico, puxou do âmago e num rasgo de génio escatológico escreveu com as próprias mãos o poema que lhe deu glória:


Foda-se!

Porta encravada

Fiquei sem papel

Espera!


Fosse o destino

Desta alma

A merda tocar

Estes dedos macios


Quatro riscos na parede

Contas para pagar

Quem sou eu agora?

Afinal a porta abre!!


A dissonância da rima, o contorno da letra, o desespero da alma humana e o destino que nos espera a todos, ditou para sempre a glória de Inácio Rosmaninho, o poeta de merda!


O MISTERIOSO SENHOR COISO

CASAL GARCIA

Enquanto Palmira se preparava para a fodinha do mês, lavando as partes pudendas, Sebastião, deitado na cama, desnudo, pegava na sarda murcha e pensava, “Será que fechei a porta do carro? Foda-se tenho lá o computador dentro!!”

Vestiu-se à pressa e saiu porta fora sem fazer barulho, na esperança de conseguir voltar antes de Palmira sair do W.C.

Sebastião corria esbaforido,

Palmira lavava a xareca,

Sebastião confirmava que a porta estava fechada,

Palmira esfregava a cenaita já para além da dita lavagem,

Sebastião regressava esbaforido, a correr,

Palmira atingia a velocidade da luz, a gemer que nem uma porta velha,

Sebastião despia-se e voltava a deitar-se na cama,

Palmira saía sorridente do W.C., de forma sensual,

Sebastião ressonava na cama,

Palmira sentou-se aliviada, no sofá a ver a novela, com um único pensamento na cabeça, 

“Amanhã vou fazer um bolo!”


O MISTERIOSO SENHOR COISO

LURDES & ARISTIDES

Das pessoas que fui conhecendo na vida, Lurdes foi a que mais me intrigou. Lurdes era um homem de meia idade, careca, que trabalhava numa fábrica de correntes, correntes de ar, correntes marítimas e chouriços correntes. Lurdes não tinha o braço direito, tinha ficado torto depois de uma máquina de torcer arame lhe ter torcido o braço.

A esposa da Lurdes era o Aristides, uma mulher linda, parecia saída de um filme esloveno, mas era meio eslovaca, os cabelos caíam sobre os ombros todos os dias e cresciam durante a noite, as pernas longas chegavam ao chão e entravam pelos pés adentro, acabando numas unhas pintadas de vermelho erótico que se escondiam em botas de biqueira de aço.

Se há história de amor que possa ter realmente esse nome em letra maiúscula, é a de LURDES & ARISTIDES. Conheceram-se, amaram-se e foderam-se quando a polícia lhes entrou em casa e lhes apanhou 5 toneladas de chouriço corrente, de contrabando.

Agora, qual Romeu e Julieta, lutam contra tudo e todos para ter uma cela comum até ao fim das suas vidas.


O Misterioso Senhor Coiso