segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

POTENCIALMENTE INOFENSIVO



 
O Silva era o verdadeiro homem-especial, a sua principal tarefa era contar os 10 000 000 000 de elcasei imunitas dos iogurtes, acrescentar os que faltavam e tirar os que estavam a mais. Farto dessa vida decidiu então enveredar por uma nova carreira que era pouco mais ou menos como o que ele queria e foi feliz durante dois dias, mais tarde quis experimentar outras coisas e experimentou, agora anda por ai feliz da vida na vida que quis. Há quem queira muita coisa mas o Silva contenta-se com pouco, porque o pouco do Silva torna-se muito mais do que qualquer coisa como. Enfim, há pêssegos que nunca foram carecas e laranjas que nunca conheceram a Baía.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A REVOLTA


O Silva não via bem do olho direito, nem do olho esquerdo. Tinha a perna direita maior que a esquerda e a esquerda do mesmo tamanho da direita. Visto do lado direito, o nariz do Silva era pontiagudo, visto do lado esquerdo era arredondado. O braço direito era do mesmo tamanho do esquerdo mas um bocado mais pequeno. A mão direita saía-lhe do braço esquerdo para quem o via de frente e a esquerda saía também do braço esquerdo para quem se punha no lugar do Silva. O pé direito ia sempre á frente e o pé esquerdo também, só alternavam quando andava. Os dedos da mão direita podiam ser da esquerda porque eram iguais em  número e na forma, só a disposição variava. O Silva nunca andaria de carro, porque os carros só andam a direito, não andam a esquerdo. O Silva quando pensava, tentava pensar com o lado esquerdo do cérebro deixando o lado direito para as situações difíceis.
Um dia o Silva saiu para comprar bananas, andou, andou, andou, andou e quando chegou á loja comprou um par de meias e um pacote de amendoins e nunca mais foi visto.
A verdade verdadinha é esta, o Silva sofria de "si mesmismo". Quando tinha a noção que, o que ele era era ele, ficava aborrecido e esticava os braços. Naquele dia esticou a cabeça e por coincidência numa linha de comboio. A parte direita que sobrou do Silva era ligeiramente mais pequena que a esquerda e a direita era mais arredondada, mas isso já pouco lhe interessava.
O Silva acabou por deixar neste mundo um espaço vazio que ninguém se atreve a ocupar porque, do lado direito é grande e do lado esquerdo é igual mas muito maior. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

NEGATIVOINFINITO

(não é por ser quem sou...é por não saber ser outra coisa...)
...se sorrio, é porque em mim se dispersam os pontos negativos da vida...nunca quis ser um Deus, não tenho vocação...nem aquela paciência de ouvir...tenho uma alegristeza em forma de rebuçado, que não conta para efeitos estatísticos, ou seja, não vou morrer disso...ontem, abriu-se um precedente, lá dentro estavam 3 senhoras de afecto dúvidoso, uma tinha cabelo louro, a outra também e a 3ª igualmente, nenhuma delas sabia andar, portanto não saíram do sítio, enquanto eu passava e fechava o precedente com as senhoras lá dentro e tudo...tenho uma alegristeza a alastrar pelo sistema nervoso, e diga-se de passagem que sou contra o sistema!...para efeitos estatísticos conta praí 2%...nem alerta laranja, nem alerta banana, muito menos morango, não vou voltar ao que era, quando não tinha vontade de ser o que era...click...

COMO SE FOSSE UM ESPINHO SEM SER


Parecia, realmente, que a vontade era pouca, mas uma dor nas pernas era coisa que não vinha nada a calhar. Tenório calafetou as janelas e subiu para cima de um banco, lá em cima tocava as estrelas e até se sentia bem, mas a puta da velha que lhe alugou o quarto tirou-lhe o banco e um dos dentes do Tenório ficou cravado no soalho. A velha aflita cresceu dois centimetros e mandou um pontapé na cabeça do Tenório, que entre dentes, cravados  e descravados no chão, disse:
- Este mês não lhe pago o aluguer!
A velha afinou, cresceu mais dois centimetros, cuspiu no chão e deu-lhe com o banco na cabeça. Se o Tenório já tinha um dente cravado no chão, passou a ter dois, mas aquilo enervou-o de tal modo que ele encheu o peito de ar, descravou os dentes do chão, pôs-se de pé num salto, agarrou na velha e disse-lhe cara a cara:
-  Cento e vinte e quatro!
A velha com receio encolheu e reduziu-se á sua insignificância, que era mais ou menos qualquer coisa de absurdo e cheia de medo correu porta fora sendo atropelada de imediato, facto que contribuiu decisivamente para a sua morte, se bem que os caramelos que andava a comer não eram dos melhores. Tenório nunca mais foi o mesmo, cresceu-lhe uma árvore num pé  e entre a sétima e a oitava costela passou a ter um ninho de andorinha.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O misterioso Sr Coiso

Numa tarde em que parecia nem ser tão tarde formou-se uma bolha em volta do senhor coiso, digo coiso por não me lembrar do nome do senhor. Para evitar confusões, passo a chamá-lo de senhor tal ou um senhor simplesmente, não interessa, o que interessa é que se formou uma bolha em volta desse indivíduo, bom nome "indivíduo". Esse tal indivíduo senhor coiso ficou espantadíssimo com tal acontecimento, mas só mais tarde e dois minutos veio a perceber que a bolha aparecera por culpa de um iogurte que bebera.....