sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O nosso Natal

Era uma vez uma formiga que não acreditava no Pai Natal, mas também pouco importava ao Pai Natal já que a sua idade avançada e os problemas de vista, inerentes á mesma, não lhe permitiam ver a formiga.....voltemos ao início....Era uma vez um Pai Natal que não acreditava no Pai Natal, ou seja, nele próprio, longe iam os tempos em que distribuía presentes com um sorriso na cara e sentia dentro dele uma alegria enorme. Acordava no dia 24 de Dezembro ás 7 da manhã, lavava a cara, comia uma torradinha e bebia um leitinho quente, pegava no trenó e, entrando num lapso temporal do espaço/tempo, distribuía por todo o mundo presentes que saíam de um saco que parecia não ter fundo, uma daquelas coisas sem explicação, mas a mais pura verdade e tudo numa noite, não me perguntem como senão eu dou uma explicação parva.
Corria o início do século XXI, aí por volta de Fevereiro, quando o Pai Natal entrou numa crise de nervos que lhe causou ataques de pânico, dia sim, dia não, isto porquê? Porque o Natal se estava a tornar cada vez mais digital. Se antigamente o Pai Natal construía brinquedos de madeira, de papel e de pano, agora a coisa era diferente, cabos eléctricos, fibra óptica, circuitos electrónicos, ecrãs tácteis, coisas que lhe custavam muito a fazer e demoravam tanto tempo que começou a reduzir nos brinquedos de madeira, papel e pano. Então os meninos que só podiam receber esses brinquedos começaram a ficar sem presentes no Natal. Como as crianças digitais (como lhes chamava o Pai Natal) eram muito exigentes e os pais pouco pacientes, o Pai Natal todos os anos melhorava os presentes digitais com “upgrades” e “upgrades, porque as crianças digitais queriam todos os anos um presente igual mas com “upgrade”. Enquanto isso, as crianças analógicas, por falta de presentes no Natal faziam os seus próprios presentes, ouviam histórias que os pais contavam na noite de Natal e divertiam-se todos.
De “upgrade” em “upgrade” as crianças digitais iam ficando cada vez mais coladas á televisão e ao computador, na noite de Natal.
Uma noite após a entrega de presentes, o Pai Natal estacionou o trenó, arrumou as renas, entrou em casa, descalçou as botas, bebeu um xiripiti de aguardente velha para aquecer o corpo e sentou-se á lareira, onde adormeceu em poucos minutos, só acordou com um ruído muito leve do seu lado direito, quando olhou era o fantasma do perú de Natal, que o olhou e disse, “VEM COMIGO” e levou-o a ver como era o Natal das crianças analógicas. O Pai Natal gostou do que viu e lembrou-se dos velhos tempos, fê-lo sentir-se bem. Quando voltou para casa e se sentou novamente á lareira apareceu-lhe o fantasma do bacalhau de Natal, que o levou a ver o Natal das crianças digitais, o Pai Natal ficou estarrecido, como é que algo que ele produzira com amor, isolava tanto as pessoas e desunia a família no Natal. Sentado novamente á lareira, o Pai Natal, desiludido com o rumo do Natal que ele representava, bebeu mais uma aguardente velha e deprimiu, começou a não acreditar nele próprio, passou o ano todo assim e quando o Natal estava novamente a chegar, o Pai Natal num acesso de raiva pegou em todos os presentes digitais, circuitos, cabos eléctricos, fibra óptica e o diabo a sete e lanço-os todos num poço fundo e nesse Natal voltou a fazer prendas em madeira, papel e pano, com mais amor ainda.
Agora todos os anos o Pai Natal tenta desfazer o erro que cometeu e oferece a todos os meninos os presentes mais simples que recebemos no Natal, porque o fantasma do capitalismo presente pegou em tudo o que o Pai Natal lançara para o poço fundo, colocou-lhe um preço, embrulhou tudo com papéis bonitos e vendeu. As pessoas pensando que o Natal é digital continuam na busca desenfreada dos “upgrades”, mas o Natal é dos simples, um beijo, um abraço, um sorriso não precisam de comando nem de downloads, muito menos de um cartão de memória, esse já nós temos e analógico, onde guardamos os bons momentos de um Natal em família.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Manual de pesca subterrânea



Pouco passava das 10 mas já se ouvia o cantar dos melros, Tinoco saiu á rua preparadinho, de caçadeira na mão, virou-se para o céu, cuspiu, calculou a deslocação do vento e enfiou um cartucho de rosas, que disparou. Quando olhou para baixo tinha os pés cheios de lama. "Foda-se" - exclamou e foi para dentro lavar os pés.

O faquir Akim



 
Já passara o autocarro das 7:30, o das 8:30 e neste preciso momento passava o das 9:30. Akim sentiu nas unhas dos pés uma comichão enorme, baixou-se para coçar e nesse mesmo instante explodiram duas andorinhas, não num beiral, mas por cima das costas de Akim, a partir daí o médico proibiu-o de comer favas e Akim perdeu o seu ganha-pão, deitar-se em camas, não de pregos, mas de couratos na brasa e de minis. Agora Akim já não engole facas mas sim tremoços. E não são poucos!

O TEIXEIRA


 
No preciso momento em que o Teixeira coçava a virilha sentado no sofá, duas enguias nepalesas acasalavam no Vietname. Teixeira gostava de se fartar de rir, mas também se fartava logo e para resolver o assunto comprou uma ovelha, que mantinha na varanda, na esperança que alguém lhe batesse à porta. Um dia bateram mesmo à porta e ele não abriu, cagou para a ovelha, cagou para o sofá, saltou pela janela e nunca mais ninguém o viu. Há quem diga tê-lo visto na cozinha de um restaurante típico, no Congo, mas o certo é que tudo isto é um mistério.
Só para acabar, duas andorinhas explodiram no beiral da casa, veio tudo abaixo e nem mesmo a ovelha escapou.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A cor das unhas em si bemol

Mais valia ter perdido o jogo.... passei tanto tempo a olhar para ela que me esqueci do que queria ser quando fosse grande... parei um pouco, olhei para ela um pouco mais e voltei a esquecer-me que já me tinha esquecido do que queria ser quando fosse grande, nesse momento senti um frio nas unhas e corri para casa, sentei-me á mesa e pensei, se algum dia me der para acabar com a vida, ao menos que seja com a de outro....

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

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click...nova vaga de pensamento... a máquina controla o homem que controla a máquina, que controla a mulher e bate nos filhos, a máquina controla os filhos que levam do pai, a mãe mal se controla com tanta máquina, o pai descontrola-se com a máquina, a mãe também controla os filhos e a máquina, o pai diz que é uma  máquina, a mãe diz: "só se for a ressonar!" e agarra-se á máquina, os filhos, sem querer, partem a máquina, a mãe olha para o pai, os filhos olham para o pai, o pai olha para o chão, a máquina descontrola-se e levam todos, finalmente a paz, o homem controla-se... "eu sou uma máquina!!"...