Quem passa por Alpiarça, não passa perto de Faro, dizia Inácio Rosmaninho, poeta de Tavira, pessoa predestinada a ser inútil no que respeita a soldadura com acetileno, mas da sua mente saíam os mais encantadores poemas de rima dissonante, como o famoso “Fiz um filho á tua irmã!” ou o épico “Parece um macaco mas é teu filho!”.
Num dia em que ficou preso na casa de banho pública do jardim da Estrela, sem papel higiénico, puxou do âmago e num rasgo de génio escatológico escreveu com as próprias mãos o poema que lhe deu glória:
Foda-se!
Porta encravada
Fiquei sem papel
Espera!
Fosse o destino
Desta alma
A merda tocar
Estes dedos macios
Quatro riscos na parede
Contas para pagar
Quem sou eu agora?
Afinal a porta abre!!
A dissonância da rima, o contorno da letra, o desespero da alma humana e o destino que nos espera a todos, ditou para sempre a glória de Inácio Rosmaninho, o poeta de merda!
O MISTERIOSO SENHOR COISO
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