terça-feira, 26 de setembro de 2023

INÁCIO POETA

 Quem passa por Alpiarça, não passa perto de Faro, dizia Inácio Rosmaninho, poeta de Tavira, pessoa predestinada a ser inútil no que respeita a soldadura com acetileno, mas da sua mente saíam os mais encantadores poemas de rima dissonante, como o famoso “Fiz um filho á tua irmã!” ou o épico “Parece um macaco mas é teu filho!”.

Num dia em que ficou preso na casa de banho pública do jardim da Estrela, sem papel higiénico, puxou do âmago e num rasgo de génio escatológico escreveu com as próprias mãos o poema que lhe deu glória:


Foda-se!

Porta encravada

Fiquei sem papel

Espera!


Fosse o destino

Desta alma

A merda tocar

Estes dedos macios


Quatro riscos na parede

Contas para pagar

Quem sou eu agora?

Afinal a porta abre!!


A dissonância da rima, o contorno da letra, o desespero da alma humana e o destino que nos espera a todos, ditou para sempre a glória de Inácio Rosmaninho, o poeta de merda!


O MISTERIOSO SENHOR COISO

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