A polémica estalou, a ponte era o centro da discórdia, as pessoas que moravam no lado de cá da ponte diziam que o "outro lado" era o lado de lá e as pessoas que moravam no lado de lá da ponte diziam que o "outro lado" era o lado de cá, a ponte foi fechada, grandes blocos de betão foram colocados em cada uma das entradas e a cada uma das saídas, ninguém mais passou de um lado para o outro. Enquanto isso, conferências de imprensa eram dadas em ambos os lados da ponte, do lado de lá dizia-se, "Nós do lado de cá não iremos recuar perante a intransigência do lado de lá!!" e os do lado de cá afirmavam, "Nós do lado de cá não iremos recuar perante a intransigência do lado de lá!!". O lado de lá organizou uma festa de angariação de fundos para a construção de uma ponte que, segundo eles, iria do lado de cá para o lado de cá, por sua vez, o lado de cá organizou uma festa de angariação de fundos para a construção de uma ponte que iria do lado de cá para o lado de cá. O resultado foi a construção de uma espécie de pontão de cada lado da margem. As pontes entravam rio adentro, depois completavam uma volta de 360º e voltavam á margem.
O tempo passou e as pessoas, tanto de uma margem como da outra começaram a aperceber-se que assim não iriam a lado nenhum, principalmente até á outra margem e então começaram a haver movimentações clandestinas, nocturnas, na velha ponte bloqueada. Havia gente que atravessava a ponte á noite, tanto para um lado como para o outro. A ponte foi vedada completamente e herméticamente, que nem uma mosca passava, só o tempo passou e passou e passou, as pessoas cairam em si e alguém disse, "E se abrissemos a ponte?", todos concordaram, telefonou-se para o lado de lá, que concordou imediatamente. Preparou-se uma cerimónia com pompa e circunstância para a reabertura da ponte. No dia em que finalmente a ponte foi aberta e acabados os ressentimentos de parte a parte, a ponte caiu, por falta de manutenção. As margens olharam-se, e gritando atribuiram as culpas aos do outro lado e em pouco menos de um ano, cada margem construiu uma ponte para si, que se encontrava com a da margem oposta, num "s" a meio do rio, como se entrássemos na ponte para ir para lá, mas a meio voltava para cá e voltava novamente para lá até chegar á outra margem..........
Moral da história: "A ponte é uma passagem prá outra margem..."